De como a vida dá voltas e nem sempre isso significa que você saiu do lugar

Uma compilação de frases do meu blog adolescente que poderiam ter sido escritas por mim hoje:

” Não sei se tenho o que escrever. Ando pensando muito sobre tudo. E há momentos que as coisas parecem não ter mais tanta importancia e há momentos que parecem não ter sentido. Acho que eu sabia que ia ser assim e só quero ser feliz de verdade, como eu sei que mereço ser.” – 16.07.2004

“Ontem sonhei que o mundo estava para acabar e que ondas gigantescas iriam acabar com tudo. Fiquei apavorada e acordei com medo de perder todo mundo e com a sensação de que quase nada do que a gente busca faz sentido.” – em 06.07.2004

“E talvez as pessoas me achem injusta por não levar em consideração o que elas fazem por mim quando eu falo desse jeito, mas eu sei que eu tenho pessoas de valor inestimável do meu lado e que hoje eu me senti sozinha e que as vezes todo mundo se sente. E que eu sou muito fraquinha e fico lá no meu quarto me rendendo em vez de sair fora pra algum lugar pra arejar a cabeça.” – em 11.07.2004

“Eu sei que não adianta ficar falando do que não se fez. Eu sei que já passou e que tudo passa. Mas hoje, pelo menos consigo ver como perdi tempo, aliás, não foi perda de tempo, foi aprendizado. Hoje eu consigo ver toda complicação que trazemos pras nossas vidas, todos os fatos que ficamos pensando, remoendo e que são apenas fatos. Nada mais. São coisas que vão e vêm. E que a gente fica tentando entender e que não ajuda em nada. A gente fica não gostando das pessoas pelo simples fato do não parecerem com a gente. E o que é isso? Nada mais que burrice. A beleza da vida está nessas divergências tão legais entre as pessoas. Ok que tem gente que não dá mesmo. Mas não pelas diferenças e sim pelo seu caráter.” – em 12.11.2005

“Competir. todos querem ganhar. O que e para que? Isso o tornará mais completo, melhor, mais feliz, te faz evoluir? Por que buscar a evolução? para melhor enxergar a vida, para melhor lidar com os desafios. Não sei. O que saber e para que saber? Por que temer? POR QUE PERGUNTAR PERGUNTAS SEM RESPOSTA?
Quero apagar, como a luz se apaga com um toque no interruptor. Quero ter um grande vazio onde eu não pense em nada de bom ou ruim. Desligar. Eu e meu vazio. O que é vazio? Nada.” – em 12.11.2003

“Odeio quando me perguntam alguma coisa e enquanto eu estou contando o q me perguntaram, a pessoa se distraí ou é chamada por alguém e eu fico por segundos falando sozinha. Me calo e a pessoa nem percebe que havia perguntado algo.” – em 12.11.2003

“Não há tempo a perder quando se tem tudo. As coisas a sua volta podem não ser justas e nem bonitas, mas estamos aqui, porra. De que adianta perder tempo? Não deixar escapar.” – em 04.05.2005

“Você não faz mais nada. Espera a vida passar esperando o fim de semana chegar para que no domingo você sinta o “nada” ainda mais agudo, ainda mais forte. As coisas bonitas e que te deixam feliz por dentro, existem sim, claro. As coisas pequenas, o sorriso do seu irmão, o cheirinho do café. Mas nada a mais que isso. Nada de extraordinário acontecendo. Será que a gente precisa de algo extraordinário acontecendo nas nossas vidas? E por que achar que o algo extraordinário não é o cheiro do café ou o sorriso do irmão e o abraço do outro? Eu acho. Realmente acho. Só que às vezes caio nessa contradição se sentir uma pontinha de melancolia (de novo). Eu tento achar os motivos, mas não há. Eu tento justificar com as pessoas idiotas, mas também não é isso. Eu preciso fazer algo. Todo mundo está fazendo algo. Está todo mundo ocupado” – em 29.03.2006

“Uau. Drama 1 de 3487. Sabe quando eu tenho vontade de escrever? Quando bate aquele silêncio oportuno e interno. Aquela lentidão nos movimentos que querem fazer tudo com calma apreciando cada segundo. Os olhos baixos, a voz tranquila. Quando estou assim, até poderia escrever. Mas esse estado inerte passa. E ao contrário de antigamente, eu não escrevo mais nada. Eu penso coisas úteis (úteis se vc não for questionar a utilidade das coisas), mas elas são demasiado densas ou às vezes demasiado banais. “Demasiado”. Ê Paula. Talvez você queira escrever pra guardar a tranquilidade e o sabor das coisas agora. A gente nunca guarda coisa alguma, mas queria me lembrar desse gosto de vida.” – em 13.01.2006

“Eu tenho tudo pra ser feliz nas minhas mãos. É só não deixar que a minha cabeça trabalhe mais rápido que o tempo em si.” – em 21.03.2004

Corrigindo: a vida da voltas e embora pareça, não estamos no mesmo lugar. Como disse uma vez uma professora, o conhecimento é em espiral. E acho que é assim com a vida da gente. Ela vai e vem em círculos, mas círculos deslocados. Então podemos sentir coisas parecidas em certos momentos da vida, mas sempre de um outro ponto de vista.

De como a vida dá voltas e nem sempre isso significa que você saiu do lugar

Sobre desapegos e recomeços

Que coisa engraçada que é mudar de cidade. Depois de oito anos, eu não me sinto como se estivesse indo mesmo. Parece que só estou indo passar férias na casa dos meus pais, como sempre faço nesta época do ano. E esta situação toda combina muito com um texto que escrevi no meio deste ano, que reescrevo aqui:

“Muitas vezes temos que escolher. Escolhas fazem parte da nossa vida constantemente. Para pegarmos uma coisa, temos que soltar outra, minha mãe sempre diz. E esta é uma lição difícil de aprender.

Desde o final da graduação (que já faz mais de um ano – agora quase dois) até agora, as escolhas tem sido bastante recorrentes na minha vida. Ficar ou ir? Trabalhar para pagar as contas ou se dedicar a um projeto pessoal? Em que dedicar o meu tempo livre? Qual o próximo passo? Estas respostas a gente nunca sabe.

E nunca saberemos o que vai dar certo e o que não vai. E o desapego já começa aí. Temos que desapegar de certas ideias sobre nós mesmos e dar a cara a tapa. Simplesmente fazer sem saber o que virá depois, se arriscar.

E nos últimos anos sinto que me arrisquei e aprendi muito com todas as experiências e pessoas que cruzaram o meu caminho, como nunca havia acontecido antes. Nunca aprendi tanto e talvez o maior aprendizado tenha sido o de acreditar em mim mesma. Pois sempre fui dessas, meio medrosas, meio inseguras, que nunca acham estar prontas. Mas aí é que está: nunca estaremos prontos. Nunca estaremos preparados. E o melhor a fazer é desapegar. Desapegar da idéia de que temos tudo sobre controle, porque nunca teremos.

Desapegar da insegurança. Desapegar do que não está bem e do que não nos faz bem. Desapegar das pessoas e de nós mesmos, do nosso ego e da nossa vaidade, do que os outros irão pensar de nós. Desapegar para alçar novos vôos, para encerrar. Desapegar para um novo ciclo começar. Desapegar das angústias e das incertezas. Desapegar para deixar o novo entrar.”

E 2015 vai começar com um recomeço. De Floripa, vou levar muitos aprendizados, um companheiro, um gato lindo e amigos que viraram família. O que mais eu poderia querer?

Sentimento de gratidão e uma esperança boa por tudo que está por vir. Àqueles que cruzei neste meio tempo, o meu muito obrigada. ♥

Registro da primeira manhã do ano na praia da Armação, Florianópolis-SC.
Sobre desapegos e recomeços

tarde de relíquias

Hoje foi dia de revirar a mala de fotos com a minha vó. Vi essas fotos várias vezes e toda vez que eu as vejo, é diferente.

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Adoro ver lembranças que não vivi, de pessoas que não conheci. Pois mesmo algumas delas sendo hoje muito próximas de mim, com certeza eram pessoas completamente diferentes no momento do clique.

Ver fotos é sempre assim. A certeza de que tudo passa, de que as pessoas se vão e que as memórias vão sumindo… As fotos ajudam a lembrar o que um dia foi concreto, palpável. Às vezes, as imagens não são suficientes pra ativar a memória e o que um dia foi realidade do momento, se perde de vez.

Gosto de pensar todas essas coisas e gosto dessa inegável melancolia que os momentos registrados trazem pra gente. É um sentimento misto de tristeza e conformidade, de aceitação e alegria, de vontade de viver.

tarde de relíquias

mamica

Quando eu penso na minha mãe, eu penso principalmente em coisas simples, pequenas. Pois além de todas aquelas coisas que a gente lembra nessa data como educação, caráter, dedicação e etc, eu penso sempre em como ela me mostrou todas as coisas pequenas.

Foi ela que me mostrou pela primeira vez como era incrível assoprar um dente-de-leão e ver aquelas coisinhas voando. Quando ela vê uma dessas plantinhas, ela nunca deixa de assoprar. Eu tento fazer o mesmo e quando vejo uma, sempre me lembro dela.

Foi ela que me levou pra andar de bicicleta na garupa pela primeira vez. E mais tarde, correu atrás de mim enquanto me ensinava a andar sozinha em uma.

Foi também minha mãe que me levou pra fazer meu primeiro pic nic. Eu era tão pequena, mas eu lembro que tinha leite e biscoitos.

Ela me ensinou a sentir o cheiro das folhas das árvores frutíferas. Ela pegava uma folha, amassava um pouco com a mão, cheirava e assim podia dizer que fruta dava aquela árvore. Ela ainda faz isso. Acho tão legal. Achei lindo quando vi meu irmãozinho fazendo a mesma coisa com as folhinhas quando não tinha nem 5 anos de idade.

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Minha mãe me levou pra  fazer minha primeira trilha. Íamos desbravar os morros ao redor do nosso bairro. Existe criança que não goste de um espírito aventureiro? Ela sempre teve esse espírito e essa energia e eu adoro essa recordação das trilhas.

Minha mãe é uma das pessoas mais positivas que eu conheço e me mostrou como isso pode mudar todas as coisas a nossa volta. Sempre tento lembrar disso e quando está difícil é só pegar o telefone que ela faz tudo parecer mais simples e fácil.

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Ela também me ensinou que às vezes é preciso aguentar firme e não desistir nas primeiras adversidades. Determinação é uma coisa simples, mas que faz diferença.

Minha mãe é daquelas que não liga de jogar bola, andar de patinete na rua ou de pular em cama elástica. E eu acho isso incrível.

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Sabe, eu acho engraçado quando me pego fazendo algo que é “muito minha mãe”. Às vezes é no jeito de falar, no jeito de pensar ou mesmo no jeito de agir diante de determinadas situações. E eu fico feliz quando percebo alguma coisa assim no meu dia a dia e que me faz lembrar dela.

E o dia das mães é uma ótima desculpa pra gente falar sobre essas coisas, que muitas vezes elas nem desconfiam. Dessas pequenas coisas que elas nos mostram e ensinam e que fazem toda diferença na nossa vida.

Obrigada mama, pelas coisas pequenas e simples.
(além de todo o resto)

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mamica

adeus desculpas

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Moro em Florianópolis desde setembro de 2006 e posso dizer que além de estudar, fazer trabalhos, sair com os amigos, etc, eu passei a maior parte do tempo reclamando.

Não que isso já não seja um dos traços da minha personalidade (eu costumo dizer que eu não reclamo, eu só pontuo a verdade. hahaha sou uma realista). Bem, enfim, passei grande parte do tempo reclamando de Florianópolis. Queria ir embora, me sentia enterrada e num fim de mundo.

E hoje, alguns anos mais tarde, é que eu posso perceber quanto tempo eu perdi reclamando. Percebi que se eu não gostava de Florianópolis, era em grande parte por minha culpa.

Florianópolis é uma cidade carente em transporte público e equipamentos de lazer e cultura, porém, a gente tem que ser inteligente o bastante para saber aproveitar tudo o que há de bom em qualquer lugar que a gente esteja.

E foi só agora que eu estou aprendendo a enxergar as coisas assim. A gente vive inventando desculpas para não fazer as coisas (“é tudo muito longe”, “eu não tenho carro”, “estou cansada”, “não tenho dinheiro” – alguma dessas te soa familiar? eu era a rainha dessas desculpas) e a verdade é que as coisas dependem mais da gente mesmo e de mais nada.

E nesse último ano, minha vida aqui esteve boa como nunca. Foi o ano que eu resolvi mexer a bunda e sair da inércia. Fiz cursos, comecei o Volver, conheci pessoas incríveis, fiz passeios que eu nunca tinha feito antes, fiz meu tcc e voltei a andar de bicicleta.

Exemplificando e resumindo, sábado fez um dia lindo. Fresco, quase frio mas com um sol lindo. Fomos andar de bicicleta com nossos amigos. Fomos até a ponte pela Beira Mar e depois voltamos, paramos no mercado, compramos pães de queijo e cervejas de trigo. Sentamos no sol e ficamos ali por um tempinho. Na volta, passando por um banquinho, falei pro Romullo que queria parar.

Este banquinho, me lembro muito bem, foi o mesmo que vi do ônibus de excursão que nos levava para fazer vestibular no final de 2005 (eu e um monte de gente do meu colégio em São José dos Campos). Lembro de ter pensado comigo “se eu morar aqui, vou vir sempre nesse banquinho”. Aham. Nunca me sentei lá. Nunca nem tinha ido ali de bicicleta. Até domingo passado.

E eu fiquei feliz de estar fazendo pelo menos umas das coisas que eu sempre quis fazer e nunca fiz.

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adeus desculpas