metas, pedras no caminho e alguns tropeços

vaso2Hoje eu plantei uma planta no vaso de concreto que eu fiz e isso me deixou muito feliz. Não pela planta, nem pelo vaso. Também por eles, vai. Mas principalmente por mim, pelo alívio de ter completado uma coisa.

Em junho de 2014 encerrei uma parceria/sociedade e quem conviveu comigo sabe que não foi bolinho. Quando penso sobre essa fase de ruptura, me lembro de como sendo uma das piores da minha vida.

Desde então estive completamente perdida. Sabia que não queria mais fazer colares ou somente colares. Queria ter experiências diversas, queria conhecer pessoas, fazer outras coisas.

Logo após este rompimento, meu impulso foi de tentar fazer coisas completamente diferentes, fugi como o diabo da cruz daquilo que eu fazia. Fugi dos colares, fugi da madeira, fugi de tudo. Mas continuava tendo milhares de ideias, pois nunca paro de tê-las.

Nesse meio tempo criei um outro projeto e queria que ele fosse a salvação da minha vida. No momento em que eu o criava, sabia que era pra tapar buraco. Queria curar a minha perda e o meu rompimento fazendo outras coisas ou pelo menos pensando em fazê-las. Nessa época, mais ou menos há 1 ano e alguns meses atrás, eu desenhei este vasinho e este porta-velas.vaso1

Desenhei-os milhares de vezes. Comprei silicone, fiz moldes, fiz alguns testes, mas não conseguia ir pra frente. O vaso principalmente. Ele não saía de jeito nenhum. Sempre era alguma coisa, algum problema que aparecia. Nunca dava.

Quando me mudei pra São Paulo, no início do ano, achei que iria viver muitas experiências. De fato tive muitas delas, profissionais e emocionais e todas essas mudanças também não deixaram de ser uma nova ruptura. Acostumada à vida em Floripa, da qual eu tanto reclamava, tinha uma certa ilusão de que as coisas se arranjariam rapidamente, laços seriam estabelecidos, eu me acomodaria instantaneamente e logo tocaria meus projetos e tudo daria certo.

Mas me vi angustiada mês após mês. Angustiada ora por não conseguir trabalho fixo, ora pela morte da minha vó, ora pela incerteza gerada pela doença que meu pai descobriu ter, angustiada pra pagar o aluguel caríssimo, angustiada de saudade da rotina leve e dos amigos e angustiada porque meu relacionamento se diluia e escapava por entre meus dedos. Eu queria fazer tudo e não fazia nada e enquanto isso meus moldes por fazer ficavam me olhando do outro canto da mesa.

Era uma coisa atrás da outra. Foi um ano digamos assim, difícil. E eu não conseguia produzir nada. Nem bordado, nem moldes, nem projetos. Isso me deixava numa prisão em mim mesma da qual eu não conseguia sair. E cada passo levava meses para se concretizar. Em agosto ou setembro deste ano, fui finalmente até uma marcenaria (o lab74) e consegui fazer as peças que dariam origem aos moldes.

Nesse meio tempo, trabalhos apareceram, a Piscina nasceu, fiz aulas de cerâmica no Sesc, uma tempestade passou pela minha vida, me tirou da minha zona de conforto e me fez repensar o sentido de tudo. O bom é que diante disso, os problemas de ontem não passam de um pontinho pequenininho na história da minha existência e os problemas de hoje parecem bem mais palpáveis e menos desesperadores.

Ainda estou repensando tudo e minha vida parece ser uma tela em branco, mas consegui finalmente tirar algumas coisas do papel. Seja amassando argila, seja colocando em prática devagar os meus projetos, eu fui ganhando um pouco de paz. É difícil falar de paz nesse momento, pois tenho vivenciado uma montanha-russa emocional, mas é isso. E estou grata por estar onde estou pois isso me proporcionou a possibilidade de enfim fazer e fazer é importante.

O vasinho é importante, o castiçal é importante. As peças de cerâmica que tirei do forno e vi maravilhada no que um pedaço de argila tinha se transformado, também são importantes. Coincidentemente, esses dois “feitos” vieram na mesma hora. E a importância deles está no que eles fazem eu sentir.ceramicas.png

Depois de adiar, inventar desculpas mil pra não estar fazendo o que eu queria ter feito e me deixar levar por pensamentos autodestrutivos do tipo”todo mundo já faz essas coisas, pra quê?”, o sentimento de terminar é tão maior que nada disso importa. Eu fiquei feliz. 🙂

Estas coisas (sempre “coisas”, essa palavra que eu uso tanto) me fazem sentir como se eu estivesse recobrando um certo controle sobre mim mesma e me fazem pensar sobre quem eu sou e no que me tornei depois de tantos acontecimentos. Elas foram um caminho e fizeram com que eu olhasse um pouco pra dentro e pudesse ver o que eu quero. Me fizeram recobrar a auto-estima e ver que eu consigo. E me fizeram ver que as metas podem mudar ao longo do processo, mas que é importante alcançá-las, sejam elas pequenas como forem.

É isso. Sinto que até as derrotas e as pedras no meio do caminho que ninguém quer mostrar com medo de parecerem frágeis demais ou ruins demais perante os outros, são tão ou mais importantes que as próprias conquistas e sem elas, provavelmente as vitórias e acertos nem existiriam.

Plantar esta plantinha no vaso que eu fiz e colocá-lo sobre o pedaço de madeira e ver que ele ficou bonito como eu pensava que ficaria enquanto rabiscava no meu caderno, me trouxe uma coisa tão boa, tão genuína, que me trouxe tranquilidade e me fez querer mostrar pra todo mundo. E agora ele está aqui. Pois se me fez sorrir por dentro, porque não compartilhar?

 

 

Advertisements
metas, pedras no caminho e alguns tropeços

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s