let the stream flow

river-flow.pngQuando comecei esse bordado, queria bordar algo que pudesse expressar os pensamentos agressivos turbulentos que eu andava tendo. Comecei a fazer pontos aleatórios, que demonstravam a minha confusão e minha dificuldade em colocar as ideias no lugar. Escolhi 3 cores, tons de azul e verde (não sei se isso pode ser considerado verde e sim um verde-água ou azul claro) e só depois, chegando pela metade do quadrinho, me dei conta que o bordado parecia um mar, um rio. Eram águas turbulentas. Eu estava interiorizando um processo de autoconhecimento mas muito ligado ainda à minha identidade e à minha questão profissional, processo esse que aliás, está longe de chegar ao fim.

No meio dessa angústia toda, eu tive uma epifania e comecei a ver aquilo como uma coisa muito boa, pois ideias boas e libertadoras às vezes surgiam e eu comecei a entender que esse bordado dizia respeito mesmo a essas ondas que vão e vêm e que dependendo de como eu o olhasse as águas poderiam estar turbulentas ou calmas.

Como as ondas, os momentos bons iam embora e as preocupações que antes diziam respeito só a mim mesma e ao meu processo interno, passaram a dar lugar a um momento turbulento com acontecimentos ruins que escapavam do meu controle e então eu abandonei o bordadinho e peguei até uma certa repugnância dele, como de tudo que me cercou durante aquele momento difícil.

As dificuldades não passaram e a dor e os pensamentos ruins às vezes dão lugar a momentos tranquilos e leves mas hoje resolvi terminar o quadrinho. Não me sinto mais aliviada nem mais leve com isso, mas de certa forma foi bom pensar na minha trajetória desde que comecei a fazê-lo.

Engraçado que a primeira página do livro que citei no post anterior, o “Nothing Special” da Joko Beck, começa falando de redemoinhos e do rio da vida e não pude deixar de pensar no meu bordadinho. Então depois de terminá-lo, resolvi reescrever essa parte e deixar registrado aqui os pensamentos que rondaram esse trabalho manual.

“We are rather like whirlpools in the river of life. In flowing foward, a river or stream may hit rocks, branches, or irregularities in the ground, causing whirlpool to spring up spontaneously here and there. Water entering one whirlpool quickly passes through and rejoins the river, eventually joining another whirlpool and moving on. Though for short periods it seems to be distinguishable as a separate event, the water in the whirlpools is just the river itself. The stability of a whirlpool is only temporary. The energy of the river of life forms living things – a human being, a cat or a dog, trees and plants – then what held the whirlpool in place is itself altered, and the whirlpool is swept away, reentering the larger flow. The energy that was a particular whirlpool fades out and the water passes on, perhaps to be caught again and turned for a moment into another whirlpool.

We’d rather not think of our lifes in this way, however. We don’t want to see ourselves as simply a temporary formation, a whirlpool in the river of life. The fact is, we take form for a while ; then when conditions are appropriate, we fade out. There’s nothing wrong with fading out ; it’s a natural part of the process. However, we want to think that thhis little whirlpool that we are isn’t part of the stream. We want to see ourselves as permanent and stable.

[…]

The stream needs to flow naturally and freely. If our particular whirlpool is all bogged down, we also impair the energy of the stream itself. It can’t go anywhere.

[…]

What we can best do for ourselves and for life is to keep the water in our whirlpool rushing and clear so that it is just flowing in and flowing out. When it gets all clogged up, we create troubles – mental, physical, spiritual.

[…]

The energy of life seeks rapid transformation. If we can see life this way and not cling to anything, life simply comes and goes. […] Yet, that’s not how we live our lifes. Not seeing that we are simply a whirlpool in the river of the universe, we view ourselves as separate entities, needing to protect our bondaries. The very judgment “I feel hurt”establishes a boundary, by naming an “I” that demands to be protected. Whenever trash floats into our whirlpool, we make great efforts to avoid it, to expel it, or somehow control it.”

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