o que tem sido

é chato ser uma daquelas pessoas que falam o tempo todo de trabalho de graduação. mas na verdade eu praticamente não falo disso com as pessoas. pelo menos, não tento explicar muito. talvez eu não me sinta ainda segura e talvez aqui seja um bom lugar pra exercitar falar sobre isso. um tcc desnudado, todo aqui. queria fazer isso. mas duvido que essa empreitada vá render em algo, pois fazer posts demora.

talvez eu vá colocando coisas aqui aos poucos.

tudo o que eu pensava (alguns posts atrás) mudou muito e ao mesmo tempo continuou a mesma coisa. talvez o processo todo tenha me ajudado e fazer links entre as coisas e não pensar somente em um produto, mas percebi que os conceitos que começaram comigo estão aqui, presentes mais do que nunca.

para começar a alinhavar tudo, tive que pensar sobre o que me cativa na arquitetura. uma coisa aparentemente fácil, vendo assim de fora, mas responder a essa questão é mais difícil do que parece. ainda mais porque eu já não me empolgo com arquitetura faz algum tempo. me cansam os arquitetos, me cansam as arquiteturas, me cansa tudo. porém – sempre tem um porém – eu tinha que pensar sobre isso, afinal, estou me formando em arquitetura e não em outra coisa.

foi quando o thiago me emprestou o livro Atmosferas do arquiteto Peter Zumthor. confesso que nunca me dei o trabalho de saber muito sobre ele. sabia que o cara era bom e etc, mas de modo geral, não gosto de ficar caçando dados sobre arquitetos, do mesmo modo que não gosto de ficar caçando bandas e procurar saber tudo sobre ela.

enfim, o negócio é que o peter zumthor caiu como uma luva pra mim e hoje posso dizer que respeito demais o cara. ele sabe como pensar arquitetura e a meu ver, é o oposto do que a gente está acostumado a pensar, a projetar. fiquei inspirada. logo, ele entrou direto pro meu tcc e aqui vai o início do texto que escrevi e que provavelmente estará lá:

“Mas em primeiro lugar, para produzir um trabalho de graduação em Arquitetura e Urbanismo foi necessário que eu me perguntasse:  mas o que, afinal, me cativa em Arquitetura?

E pensando muito bem nesta questão, cheguei a conclusão de que uma das coisas que  mais me cativa em arquitetura são as sensações e sentimentos que alguns espaços são capazes de gerar em nós. Espaços que nos abrigam, que nos remetem a outras escalas, que suscitam em nós sentimentos que só podem ser vivenciados e não narrados.

Arquitetura como espaço envolvente

Acho que esta qualidade da arquitetura da qual gosto tanto se aproxima muito do que o arquiteto Peter Zumthor descreve como “espaço envolvente”. Parafraseando os dizeres do arquiteto, a arquitetura como espaço envolvente é aquele espaço que se torna parte da vida. “É um lugar onde as crianças podem crescer. Talvez estas, inconscientemente, se lembrem daqui  a 25 anos de algum edifício, de uma esquina, uma rua, uma praça, sem nada saber do arquiteto, o que também não é importante.”

Gosto desse modo de pensar a arquitetura, como um espaço que envolve a vida, onde a vida das pessoas se desenrola. Espaços que nos tocam, que nos alegram, que nos acalmam, que nos protegem.

Me atrai a ideia de que um espaço construído se conserve nas memórias das pessoas. E é este sentimento, esta sensação que um lugar provoca em uma pessoa, que me cativa em arquitetura.”

 

óbvio que o livro dele tem muito mais coisas, sobre luz, matéria e som. mas esse pedacinho fez toda a diferença pra mim. é como se eu tivesse encontrado as palavras que me faltavam.

e por enquanto, chega.

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