habitação e complexo cultural da fábrica – 2010

esse projeto é o resultado da disciplina de Projeto Arquitetônico VI e pra mim foi muito importante passar pelo processo de desenvolvê-lo. e já que foi assim, acho que é bacana escrever sobre isso, até mesmo pra colocar as idéias em ordem.
é difícil desenvolvermos projetos individuais na universidade, a minha última vez foi há uns 3 anos. e acho que fazer um projeto individual é quase que um processo de auto-conhecimento. e depois de tanto tempo, esse processo apesar de muito angustiante, foi bem valioso.
a gente trabalhou o semestre todo em ateliê. com as pessoas vendo os projetos umas das outras, dando opiniões e confesso que eu poderia ter contribuído mais, participado mais. mas enfim. o resultado de todo mundo só foi possível por causa da experiência de trabalharmos todos no mesmo terreno, com os mesmos problemas, mas resolvendo de diferentes formas.
nos últimos tempos eu me distanciei completamente da arquitetura, aqui pelo blog mesmo dá pra ver que os posts relacionados a outras coisas são bem mais frequentes do que os de arquitetura. talvez esse distanciamento tenha acontecido por uma falta de compreensão minha da complexidade que é a arquitetura e talvez isso tenha me chateado um pouco. arquitetura pra mim sempre me pareceu estática demais, demorada demais, complexa demais, difícil demais. não se compreende uma arquitetura assim como se olha uma fotografia, um quadro, uma roupa. e talvez isso me irritasse um pouco. acho que ainda irrita.
mas enfim, o que eu quero dizer, é que no início do processo eu continuei com uma mania que eu tenho de buscar muitas referências, posso ficar horas procurando na internet coisas que me interessam. e o blog é um apanhado das coisas que vão me cativando nas minhas buscas diárias infinitas.
e no final das contas essas referências não ficaram de forma explicita no projeto. 
muito em função dessas buscas eu achava que meu projeto teria que ser ao menos parecido com essas coisas que eu gosto. eu queria essas formas irregulares, eu queria moldar alguma coisa diferente. experimentar. e eu tentei mesmo fazer isso.
até que eu fui me dando conta de que eu não poderia ir fazendo um quebra-cabeça de tudo que eu achasse legal e juntar tudo num projeto. me dei conta de que arquitetura não surge desse apanhado de coisas. não surge de outras arquiteturas existentes, nem de nada. claro que as referências são boas pra gente. mas sei lá. os problemas que eu tinha que resolver nesse projeto não seriam resolvidos com formas exuberantes, pontas e recortes. o problema a ser resolvido com arquitetura vai muito além de chegar numa forma agradável. 
foi só quando eu me dei conta disso (que parece óbvio mas nunca esteve claro na minha cabeça) que eu pude responder as perguntas do meu projeto com formas. e elas surgem da necessidade, do usuário, do entorno, da cidade em que se situa, etc. E daí quando a gente estabelece um ponto de partida, quando estabelecemos as prioridades a serem atendidas no projeto, as coisas começam a aparecer. 
sei lá. considerei que com este trabalho, eu fiz as pazes com a arquitetura. meio que compreendi que ela vai além de muita coisa. e é uma coisa muito completa e complexa. que demanda muita coisa da gente. e me dei conta de que eu não sei nada mas que no fim a gente fica  feliz. e esse sentimento é a melhor coisa do mundo e move a gente pra frente.
nossa, que piegas. haha mas e daí? 
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habitação e complexo cultural da fábrica – 2010

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