Já pro final

‘Nas noites de inverno, enquanto fervia a sopa no fogão, desejava o calor dos fundos da loja, o zumbido do sol nas amendoeiras empoeiradas, o apito do trem na sonolência da sesta, da mesma forma como desejava em Macondo a sopa de inverno no fogão, os pregões do vendedor de café e as cotovias fugazes da primavera. Aturdido por duas saudades colocadas de frente uma pra outra como dois espelhos, perdeu o seu maravilhoso sentido de irrealidade até que terminou por recomendar a todos que fossem embora de Macondo, que esquessecem tudo que ensinara do mundo e do coração humano, que cagassem para Horácio e que em qualquer lugar em que estivessem se lembrassem sempre de que o passado era mentira, que a memória não tinha caminhos de regresso, que toda primavera antiga era irrecuperável e que o amor mais desatinado e tenaz não passava de uma verdade efêmera.’

*ainda do Cem anos de Solidão, um daqueles livros que você faz de tudo pra demorar o máximo possível para terminar de ler, mas que ao mesmo tempo não consegue parar. E quando ele de fato chega ao final, parece que a história sempre esteve presente em você por ser de velhos conhecidos seus, e por mais absurdos que possam parecer os fatos, tudo se encaixa com uma grande normalidade.

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